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Home » Notícias » Notícia do dia 21/04/2008
Data Center, compartilhando qualidade.
No início da década de 70 e década de 80, existiam os famosos "birôs de Processamento de Dados". Grandes empresas de informática que prestavam serviços de "processamento de dados" para outras grandes empresas. Os documentos ou formulários eram enviados para os "birôs", uma equipe enorme de digitação fazia a transferência para cartões perfurados ou fitas magnéticas (grande avanço), que depois eram por sua vez processados em "grandes computadores" e os relatórios com os resultados devolvidos aos clientes. Envelopes de pagamento, extratos bancários, balancetes, etc. Os "birôs" mantinham infra-estrutura de equipamentos e de pessoal para todo esse serviço.

Por que razão existiam esses "birôs"? As principais eram: a) Os computadores eram muito caros e de difícil instalação e manutenção. b) Não existiam profissionais qualificados no mercado e nem sistemas disponíveis. c) As empresas não tinham a menor idéia de como lidar como essa novidade. d) Não podiam perder tempo tratando de assuntos que não diziam respeito à finalidade da empresa. Queriam os benefícios do computador, mas não queriam os "problemas".

O que aconteceu depois já sabemos. Os computadores ficaram mais baratos, houve a formação de profissionais, veio uma infinidade de sistemas, etc. E as empresas passaram a ter seus próprios "CPDs", Centro de Processamento de Dados. Isso foi ótimo. Trouxe muitos benefícios e também trouxe problemas.

Mas como o mundo dá voltas e com as novas tecnologias de comunicação, percebeu-se que se pode aproveitar o lado "bom" dos dois mundos. É bom compartilhar equipamentos, para reduzir custos com infra-estrutura de recursos materiais e humanos, mas também podemos tê-los como se estivessem em nossas empresas.

O "Data Center" atual tem muito do que eram os antigos "birôs". Obviamente o nível de compartilhamento vai de 0 a 100. Algumas companhia tem suas próprias estruturas, no entanto, a idéia básica do Data Center é fazer com que a organização se concentre apenas no seu core business, deixando as atividades de TI e os desgastantes trabalhos de manter um sistema corporativo no ar com um provedor de serviços e claro, por um custo que não seria possível se assumisse sozinha ou que é menor por ser compartilhado com outras empresas.

Essa sinergia de custo de um "Data Center" é facilmente tangível. Nem vamos tocar aqui nos pontos de ociosidade gerado por equipamentos especializados exclusivos para uma única corporação. Vamos desconsiderar ainda, os profissionais especializados dentro de uma empresa com "core business" fora do escopo de TI. Nesse momento, esses profissionais são substituídos por contratos de nível de serviço (SLA - Service Level Agreement), que em geral assumem paradas plenamente suportáveis para cada tipo de negócio (veja tabela de "uptime" abaixo).

De forma simples, qualquer planilha de ROI (do inglês, Retorno de Investimento) vai ressaltar a depreciação avassaladora sobre os hardwares, principalmente em equipamentos de ponta, vai saltar aos olhos os ativos de software, os custos para diferentes níveis de segurança (veja tabela abaixo), equipe técnica especializada, diga-se de passagem, trabalhando num ciclo de 24 horas por dia. De quebra, a utilização de um "Data Center" é prestação de serviço, e quem tem seu CNPJ no lucro real, sabe o que isso representa na mordida do leão (despesas) .

No mercado de "Data Center" dois produtos são os mais comuns: Hosting e Collocation. Hosting é onde você aluga tudo do "Data Center", e apenas disponibiliza a sua aplicação para que seja publicada e disponível 24 horas no ar (uma loja virtual, por exemplo). Já o Collocation, é onde, geralmente, o cliente, leva seus servidores, e utiliza-se da infra-estrutura (controle de temperatura, energia elétrica ininterrupta, segurança física e lógica, ...) para armazenar seus equipamentos com mais segurança.

Num passo adiante, as empresas de desenvolvimento de software, estão montando seus "Data Centers". Neles hospedando aplicações de negócio, oferecendo para o seu cliente não apenas uma infra-estrutura pesada, mas uma aplicação, um software, dentro dessa infra-estrutura. Essa especialização na entrega de seus serviços (aqui sem entrar no dilema se software é serviço ou produto) vai muito além de uma boa idéia. É na verdade, um novo modelo de negócios para comercialização de software/serviço. Talvez nem tão novo em todos os aspectos, lembre-se dos birôs. Mas com certeza, os fabricantes que já aderiram ao modelo tiveram uma nova percepção: manter o cliente no seu "core business" e ao mesmo tempo alinhar TI com a estratégia do negócio.

Os birôs tinham um tom de cooperativa. "Data Center" está mais para um condomínio. Cada empresa é efetivamente um negócio. O nível de individualidade é total, ao ponto de empresas de verticais diferentes (industria, serviços, governo...) dividirem um mesmo servidor.

Tecnicamente a construção de "Data Center" é normalizada pela ANSI/TIA/EIA-942 R11 Telecomunication Infrastructure Standard for Data centers. Inicialmente com abrangência apenas nos EUA. Mas logo se seguirão normas internacionais, da ISO, e nacionais, da ABNT.

A norma classifica o "Data Center" em quatro níveis (Tiers), numerados de uma quatro:

Tier 1: "Data Center" básico
Tier 2: "Data Center" com componentes redundantes
Tier 3: "Data Center" que permite manutenção sem paradas
Tier 4: "Data Center" tolerante a falhas

Para cada uma das disciplinas (Arquitetura, Mecânica, Elétrica e Comunicações) há um conjunto de requisitos obrigatórios para que se atinja cada um dos níveis. A classificação geral do "Data Center" é igual à classificação que recebeu o nível mais baixo.

Essa estrutura então é medida, e o principal indicador é o Uptime (tempo de disponibilidade). Segundo dados levantados pelo UptimeInstitute, um "Data Center" de nível quatro fica, em média, 26 minutos por ano"fora do ar", contra quase 30 horas se estiver no nível um.

Por fim, o que qualifica um "Data Center", é o seu serviço, em especial, os de contingência onde os custos são maiores. Sistemas contra incêndio, geradores, estratégia de abastecimento desses geradores, nobreak, refrigeração, cabeamento estruturado, dispositivos de redes gerenciáveis, suporte e monitoramento 24 horas por dia, servidores de alta performance, servidores contingente, load balance, cluster,storage, rotinas de backup, procedimento de recuperação de desastres, testes e simulações de desastre, firewall, antivirus... são oscomponentes mais populares de uma lista interminável de recursos caros, sim!muito caros, porém acessíveisl quando num "Data Center".

Agostinho Artur Schnaider
Certificado desde 1999 pela Microsoft, possui as certificações MCP, MCSA e MCSE. É diretor da KeepIT (www.keepit.com.br) , empresa especializada em infraestrutura Microsoft e Gold Partner com as competências Advanced Infrastructure Solutions, Data Management Solutions, Information Worker Solutions, Networking Infrastructure Solutions e Security Solutions.
 
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